domingo, 27 de setembro de 2015

Desfile em comemoração aos 63 anos de emancipação política de Vitorino Freire

No último dia 25 Vitorino completou 63 anos de emancipação política. Diferentemente de épocas passadas, as comemorações dos últimos aniversários têm se tornado monótonas e aparentemente um tanto quanto forçadas, já não se faz mais por amor ou por orgulho de ser vitorinense; me refiro em especial ao tradicional desfile do dia 25, que aliás não é mais do dia e sim da noite do dia 25.

O desfile desse ano, assim do ano passado, foi realizado a noite. É compreensivo devido ao calor e sol escaldante que temos durante o dia e que realmente seria um sacrifício e um perigo à saúde deixar as pessoas por horas em pé marchando em um asfalto em brasa. Todavia, se é pra ser a noite, deveria a administração municipal providenciar condições adequadas para a realização do desfile, como por exemplo um reforço na iluminação artificial no percurso programado e principalmente no ponto alto do desfile que é a chegada a praça.

Outro ponto negativo foi a desorganização e falta de sensibilidade do público, os populares simplesmente não respeitam o espaço reservado para o desfile, não se contentam em ficar nas calçados; pelo contrário, invadem a área do desfile, atravessando de um lado pro outro a todo instante, vendedores ambulantes pedem passagem com seus carrinhos de mão e ao final do desfile, quando cada grupo se apresenta em frente ao palanque, aí sim que o tumulto é grande, ninguém ver nada devido à má iluminação e a multidão que invade a rua e não se ouve direito devido ao som ruim.

Enfim, foi possível perceber que sobrou disposição das escolas e faltou organização do poder público. Não houve qualquer sistema de isolamento no percurso, nem por cordas, nem por seguranças; no inicial a polícia militar até deu apoio com viaturas, mas depois sumiu.

O tema escolhido foi “escritores maranhenses” que cá entre nós não tem nada a ver com o aniversário do município de Vitorino Freire, (nada contra os escritores, são incontestáveis nomes e baluartes da cultura brasileira, orgulho de todo maranhense). Mas como vitorinense, não me senti representado em nenhum momento e acredito que nenhum vitorinense presente também não. Os donos do poder ou aqueles responsáveis por tomar a decisão de homenagear a cidade no dia de seu aniversário e escolhem como tema “escritores maranhenses” só podem é tá de brincadeira.

Ainda que o tema fosse “escritores vitorinenses” faria de longe algum sentido, mas “escritores maranhenses’?! Cadê aqueles que realmente contribuíram e contribuem para a formação e existência dessa cidade? Qual escritor daqueles citados no desfile em alguma de suas obras faz menção ao município de Vitorino Freire? Cadê nossa história? Afinal de contas, quem foi Vitorino Freire? quem é esse que dá nome a essa cidade? O que ele fez? será que ensinaram isso àqueles estudantes que desfilavam?!

Cadê nossos antepassados? Os pioneiros? Os tropeiros, desbravadores... e no presente, cadê a quebradeira de coco babaçu? O lavadeira, o juquireiro? A doméstica? A varredeira de rua que acorda quatro horas da manhã? o gari? Ou mesmo o comerciante? os vendedores? taxistas? E tantos outros profissionais que fazem essa cidade existir e persistir a pesar de tudo. Essas pessoas não são importantes? Será que os escritores maranhenses contribuíram com nossa história mais do que essas pessoas simples que lutam diariamente pela sobrevivência e que levam consigo o orgulho de ser vitorinense?

Apesar da crítica em relação à falta de bom senso dos que acham que os notáveis escritores maranhenses nos representam mais do que a nós mesmos, destaco a boa vontade das escolas, em especial o colégio militar que demonstrou mais uma vez comprometimento, disciplina e amor a Vitorino Freire, fizeram uma belíssima apresentação com muita organização e sincronia.

As escolas estão de parabéns pela vontade que demonstraram, os professores e diretores que a todo instante davam assistência a  seus alunos levando água. Os organizadores e idealizadores de modo geral deixaram muito a desejar e a população por sua vez, por não se sentir representada, apenas assistiu e compareceu como quem assiste a um bloco de carnaval passar.









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